Parque da Bela Vista, Rock in Rio Lisboa, 5 de Junho de 2008, dia do Metal... Um dia com surpresas fabulosas e algumas desilusões...
Após um exame de química que durou até às 3 da tarde, lá fui eu a caminho do Rossio, onde me iria encontrar com a restante metaleirada a fim de rumarmos ao maior evento musical que Portugal acolhe este ano, o Rock in Rio. Objectivo: rever Moonspell, ver Apocalyptica e Machine Head pela primeira vez e, claro está, assistir mais uma vez a um concerto memorável por parte da maior banda de metal de todos os tempos... Metallica.
Tanto tempo à espera deste momento e, finalmente, ele chegou. os Moonspell entravam em palco, marcando o início dos concertos desse dia. Foi uma entrada muito teatral e bem encenada, como todas as entradas do quinteto português, com as quatro coristas a marcar o ritmo do início da At Tragic Heights numa espécie de congas... A primeira faixa do álbum Night Eternal foi assim a escolhida por Fernando Ribeiro e companhia para iniciar um grande concerto que dispensa mais descrições, uma vez que esta banda sempre nos habituou a bons espectáculos. Ainda assim, esta foi uma actuação marcada também ela por uma desilusão... Anneke van Giersbergen, ex-vocalista dos holandeses The Gathering, agora pertencente aos Agua de Annique, que já tinha avião reservado para vir a Lisboa cantar a Scorpion Flower como fez no album, encontra-se doente e não veio. Ficou a promessa de Fernando Ribeiro de que a cantora iria, um dia, cantar essa mesma música em Lisboa, tendo sido substituída (e sem perda de qualidade) pelas quatro coristas dos Moonspell. Mais uma vez, a banda portuguesa deixou bem claro o seu estatuto de fenómeno do metal nacional, justificado pelo vocalista Fernando Ribeiro com a frase "As bandas de metal não vêm para aqui fazer figuras. Nós damos o máximo", numa clara referência ao «concerto desastre» de Amy Winehouse na abertura do festival. Quem nos dera que todas as bandas ali presentes o tivessem feito, num dia em que a organização esperava cerca de 50000 pessoas.
20:30, os finlandeses Apocalyptica entram em palco. A dúvida e a apreensão que tanto me assolaram nos últimos tempos tomaram conta da minha pessoa... "Será que resulta? Será que o público adere? Esperemos que esta gente não esteja aqui só para ver os "brutos mas brutais"... O quarteto finlandês (sim, quarteto, o Antero é convidado) não teve estas dúvidas e, passados nove anos, voltaram em força. Agarraram o público como muitas bandas não sabem fazer logo desde a música de abertura, a cover que tanto conhecemos da banda brasileira Sepultura... Refuse Resist. A actuação dos quatro violoncelistas e um baterista baseou-se em temas dos Sepultura, Metallica (grande Seek and Destroy), Edward Grieg, originais seus como Bittersweet, Ion, Grace, I'm not Jesus e, surpresa das surpresas, a Quinta Sinfonia de Beethoven. Dissiparam-se-me as dúvidas e as apreensões. O público aderiu, cantou bem do fundo dos seus pulmões a Seek and Destroy e a Fight Fire with Fire, houve moche e muitos, muitos saltos. Se houve banda que me surpreendeu pela positiva naquele fim de tarde e início de noite, essa banda foi, sem dúvida alguma, os grandes Apocalyptica, que, ainda assim, terminaram o concerto 10 minutos mais cedo... Pena terem-no feito.
22:00, uma das bandas que eu mais ansiava ver nessa noite (se é que posso dizer isto de alguma banda, pois estava de propósito por elas todas), Machine Head entrava em palco. A qualidade de som era muito, mas mesmo muito fraca, o que nos impediu de vibrar ao som de músicas como Halo e Clenching the fists of Dissent. Pior, estragou completamente a minha música favorita do quarteto americano, Aesthetics of Hate; Uma música que é um verdadeiro hino de revolta para todos os fãs dos Pantera e do grande Dimebag Darrel. O solo da terceira faixa do álbum The Blackening passou-me quase ao lado... Aquele solo magnífico feito com as duas guitarras em simultâneo, o que faz parecer que os dois instrumentos estão num aceso diálogo, passou-me quase ao lado devido à má qualidade de som, que só melhorou aquando de um dos momentos mais altos do concerto... Os Machine Head nunca haviam tocado esta música ao vivo, como tal, Rob Flynn pediu a colaboração do público para cantar uma cover dos Iron Maiden... Hallowed be thy Name
E, por fim, era chegado o momento. A hora dos quatro cavaleiros havia chegado, o público entoava a Ecstasy of Gold como sempre faz... Eles entraram, abriram com a Creeping Death, tal como no Super Bock há um ano atrás. Seguiu-se Fuel e toda a energia que ela representa. Não faltaram as brincadeiras e "Yeah"'s característicos do vocalista e guitarrista ritmo James Hetfield, não faltou a boa disposição e os solos de Kirk Hammet, nem os "tazze bem Lisboa?" de Rob Trujillo mas, ainda assim, este concerto soube a pouco, não chegou aos calcanhares do que se passou no Parque Tejo há um ano atrás, mesmo com a participação dos elementos dos Machine Head a cantar uma das músicas... Talvez a culpa seja da set list, uma vez que as malhas escolhidas não foram propriamente as melhores deles... Seja como for, esperava mais e creio que todas aquelas pessoas também. Lars Ulrich prometeu que eles iriam voltar no próximo ano durante a tour do álbum que sai em Setembro... Espero que voltem e, espero também, que façam melhor do que desta vez já que nós merecemos e eles, como já provaram inúmeras vezes, conseguem... Lá estaremos, para o próximo ano, mais uma vez. Quem é fã, é-o sempre, com concertos bons ou menos bons e, por todos aqueles que se consideram fãs da banda de S. Francisco e que os elegem como sua banda preferida (e havia muitos assim no Rock in Rio, eu não era o único seguramente), por favor, Metallica, façam melhor em 2009, vocês conseguem e devem-nos isso... A mim, à Narças, à Tatiana, ao Fábio, à Dri, ao Fred, a todos os restantes fãs e, principalmente, à Célia, à Cátia e à Inês que nunca tinham ido a um concerto vosso. Foi uma forma algo pobre de as receber pela primeira vez. Elas e nós todos, fãs dos Metallica, merecemos melhor...
